Charles Baudelaire é um dos escritores cuja obra faz uma viagem aturdida por entre os escombros de nossa humanidade. Ela não interage, ela funde-se entre o turbilhão de certezas, dores, sofismas e lacerações que a mente resguarda. Nada mais agradável do que a ebriedade nas vésperas de um feriado, principalmente para aqueles cujo corpo é desvanecido lentamente, dia após dia, desaparecendo entre as pilhas de mercadorias produzidas. Dito isto, o poema retirado de "As flores do mal", traz um alento (ou não) para mentes inquietas porém cansadas.
Embriaguem-se
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

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